Tipos de investimentos em renda fixa e 4 mitos sobre eles

*por Robinson Trovó

Infelizmente, a falta de conhecimento sobre formas de investimento impede que muitas pessoas consigam acumular bens da forma como gostariam. Enquanto que investir em ações na bolsa exige um montante maior e certo conhecimento prévio, é possível investir em diversos tipos de renda fixa. Todos eles rendem muito mais que a poupança.

Existem oito formas de investir o dinheiro em renda fixa: CDB, LCI, LCA, CRI, CRA, Debênture, FIDC e Tesouro Direto. Antes de entender cada tipo de investimento, é importante compreender que existe uma taxa chamada SELIC, que é a taxa básica de juros nos bancos do país. Como o investimento mais conhecido do brasileiro, a conta poupança, rende apenas 70% da taxa SELIC, o rendimento final acaba sendo menor do que a inflação – ou seja, o dinheiro perde o valor.

Os investimentos de renda fixa são formas diferentes de aplicar o dinheiro e fazê-lo render mais do que a inflação, mas de forma totalmente livre de riscos. O rendimento deles é baseado em um índice chamado de CDI – o Certificado de Depósito Interbancário, que via de regra é parecido com a taxa SELIC. Portanto, um investimento que renda mais de 70% do CDI já é mais vantajoso que a poupança, mas para vencer as taxas de inflação é necessário que a renda do investimento seja a partir de de 95% do CDI.

 

Diferentes tipos de investimentos:
 

CDB – Certificado de Depósito Bancário

O Certificado de Depósito Bancário é um título de Renda Fixa emitido pelos bancos com a finalidade de captar recursos para financiar as próprias atividades. Neste tipo de investimento, o prazo da aplicação, as condições de remuneração e a liquidez final são definidos no ato da aplicação, o qual pode render anualmente uma média de 80% a 100% do CDI. O ideal é investir em uma instituição que permita a renda de acima dos 95% do CDI, e o valor mínimo a ser investido gira em torno dos R$5 mil.

O CDB é um investimento adequado para investir em recursos que serão utilizados em curto período de tempo, como por exemplo a compra de um carro ou uma viagem. Porém, quanto mais tempo o dinheiro ficar investido, menor será a cobrança de imposto de renda, e mesmo com esse custo, a vantagem é maior do que os rendimentos da poupança. O único risco é o mesmo que o da maioria das Rendas Fixas: se o banco quebrar, você tem direito a 250 mil reais, garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

LCI – Letra de Crédito Imobiliário

O funcionamento desse investimento é bem parecido com o CDB, ou seja, o investidor empresta dinheiro para o banco e em troca recebe juros. No entanto, os capitais iniciais para o investimento são altos, a partir de 30 mil reais. A diferença é que esse dinheiro será utilizado para créditos imobiliários. Uma vantagem importante deste investimento é render mais de 100% do CDI por ano, ou seja, vale muito a pena.

Por ter um alto valor de investimento e ter um prazo mínimo de pelo menos 6 meses para ficar investido, o LCI não desconta o Imposto de Renda, o que gera um estímulo aos investidores. A garantia dada pelo banco é a mesma do CDB, de até 250 mil reais caso o banco “quebre”.

LCA – Letra de Crédito do Agronegócio

Idêntico ao LCI, esse investimento consiste em emprestar dinheiro para o banco, com a diferença de que os recursos serão revertidos para financiamento do setor agrícola. Resumindo, o banco pega o dinheiro do investidor e repassa ao produtor.

Com relação ao prazo mínimo de investimento, rendimento e a garantia, são iguais às características do LCI, incluindo o fato de não haver desconto do Imposto de Renda.

Tesouro Direto

Este é, sem dúvidas, o investimento mais democrático, sendo que permite iniciar um investimento com apenas 30 reais. Neste investimento, diferente dos outros, você empresta seu dinheiro para o governo, em troca de juros.

O Tesouro Direto também é defendido como um investimento seguro e conservador, uma vez que teoricamente é mais fácil um banco quebrar do que a economia de um país todo. Outra vantagem é que esse investimento, diferente dos outros, tem a garantia do Tesouro Nacional e ao invés de ser atrelado ao CDI, ele rende o valor da inflação no ano, acrescida de 5% de juros.

CRI – Certificados de Recebíveis Imobiliários

O CRI são títulos rastreados em créditos imobiliários e garantidos por imóveis, ou seja, eles são emitidos por companhias securitizadoras, ou seja, empresas que transformam em títulos os créditos imobiliários descontados por imobiliárias, instituições ou outros. Por exemplo, uma construtora deve receber 10 milhões de reais por seus apartamentos, mas isso vai acontecer durante 60 meses, então, para adiantar esse recebimento a construtora transforma esse valor em títulos de créditos, e recebe o valor dos investidores.

Esse tipo de investimento é considerado muito lucrativo porque permite investimentos a partir de 1 mil reais e os investidores ficam isentos de pagar o Imposto de Renda. Porém, o risco é o próprio crédito, pois se os compradores dos imóveis caírem na inadimplência, a rentabilidade será afetada.

CRA – Certificado de Recebíveis do Agronegócio

A CRA é parecida com a CRI, ou seja, são títulos de créditos emitidos por empresas securitizadoras de direitos creditórios do agronegócio. E, sendo o agronegócio um setor extremamente importante para a economia brasileira, e levando em consideração a incapacidade que o governo tem, muitas vezes, de investir nos projetos necessários desse segmento, o CRA tornou-se um excelente exemplo de ativo financeiro.

Um ponto importante desse investimento é que ele é consideravelmente acessível, pois com mil reais você já pode ter acesso à mesma pulverização de um grande investidor. Esse investimento não tem garantia do FGC, porém tem garantia própria, assim o investidor não será impactado caso haja inadimplência.

Debênture

Este investimento é um título de crédito, que além de ter baixo risco, tem um ótimo retorno. Mas neste caso, diferente do CRI e CRA, quem emite o título de crédito é uma empresa, com o objeto de obter capital para satisfazer suas necessidades financeiras. As debêntures possuem garantia do FGC, mas também outros tipos de garantias. Ao fazer o investimento, vale a pena pesquisar a que oferece mais segura.

Neste caso, as taxas de tributação dos impostos de renda são os mesmos que a maioria das Rendas Fixas, mas existem algumas que são isentas desse imposto.

FIDC – Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios

Esse tipo de investimento de Renda Fixa consiste basicamente em comprar de uma empresa, por um preço mais barato, os direitos que ela tem a receber de seus clientes. Ou seja, a empresa antecipa o dinheiro que receberia como “Contas a Receber”, vendendo para esse investimento a um valor menor. Assim, o investidor irá receber esses direitos que seriam da empresa pelo preço correto, que será maior.

Os lucros desse investimento superam facilmente os 125% do CDI, com o risco reduzido. Assim, é considerado o mais vantajoso investimento entre as opções de Renda Fixa. A única desvantagem é que, pela legislação, apenas investidores qualificados podem investir, e é necessário no mínimo 300 mil reais para esta aplicação financeira.

 

Mitos sobre investimentos em renda fixa

 

1) É preciso ter muito dinheiro:

Não é necessário ser rico para começar a investir! Como visto nos investimentos, com R$5 mil já é possível fazer um CBD, e com apenas R$100 já é possível investir em Tesouro Direto. O segredo é criar um pensamento de investidor e, conforme for acumulando capital, começar a diversificar os investimentos.

2) Exige muitos riscos:

Investir em fundos de renda fixa não coloca em risco o dinheiro já existente. E, na verdade, até mesmo o investimento em ações pode ser livre de riscos. O importante é que, ao fazer qualquer um destes investimentos, o dinheiro rende normalmente, assim como na poupança.

3) É necessário fazer um único tipo de investimento:

Muitas pessoas ainda acreditam que é necessário escolher apenas um tipo de investimento. Qualquer um pode variar os tipos de investimento, e escolher dois ou mais tipos, conforme o que pode investir. Uma boa ideia para quem ainda não tem muita verba é começar com o Tesouro Direto e migrar para o CDB quando o dinheiro chegar ao mínimo necessário.

4) É preciso entender de economia:

É importante colocar na cabeça que qualquer pessoa pode aplicar seu próprio dinheiro com facilidade. Não é preciso estudar economia, números ou cálculos, pois a renda fixa funciona quase da mesma forma que a poupança: o dinheiro é colocado lá e os rendimentos vão sendo acompanhados.

 

O hábito de investir é a chave para a riqueza 

Assim como escovar os dentes e tomar banho, investir deve se tornar um hábito. Pode ser para quitar as contas, fazer uma viagem ou trocar de carro: você precisa ter esse hábito, que como vimos não é nada complicado. Mês a mês investindo, você vai enriquecendo e logo criará o hábito.

Está claro que investir em Renda Fixa é um ótimo negócio para você e sua família. É uma opção que te traz estabilidade financeira que tem todo o potencial para te levar à riqueza. A diferença entre ficar em dívida e enriquecer é muito tênue: em uma você paga juros, e na outra você recebe juros. Escolha em qual lado você quer estar.