Existe um país onde todo mundo sabe o salário de todo mundo…

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O país foi citado por vários jornais nos últimos dias, principalmente os britânicos, que se mostraram entusiasmados com a ideia de que no restante do mundo ainda há uma polêmica muito grande a cerca da diferença de pagamentos feita entre homens e mulheres, por exemplo.

No Brasil, vale o mesmo conceito, considerando ainda que existem muitas outras diferenças que não tem a ver, necessariamente, com o gênero.

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Pois pasmem: na Noruega não há segredos quanto aos salários. E isso acontece desde 1814 quando qualquer pessoa podia visualizar o salário de outras. O melhor de tudo: isso nunca causou o menor problema, levando em conta que o país mantém pouquíssima diferença de salários entre gêneros ou cargos.

Em tempos antigos, os salários eram publicados em um livro que listada os valores, inclusive, com situações sobre os impostos. Esse livro ficava em uma biblioteca nacional pública. Atualmente, a informação está otimizada nas plataformas online, sendo possível de ser clicada há quilômetros de distância.

A transparência é importante, na opinião de Tom Staavi, que foi editor de economia no VG, um jornal local. Para ele, os noruegueses pagam impostos de renda bastante altos – sendo uma média de 40,2% do que ganham no ano, enquanto que na Europa o valor é de 30,1%. No Brasil, o teto é de 27,5%.

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“Quando você paga tudo isso de imposto, você precisa saber que o resto do país está fazendo o mesmo e você tem que saber que o dinheiro está sendo bem usado”, diz.

“Nós precisamos ter confiança nos dois, tanto no sistema de impostos quanto no sistema de seguridade social”.

Diferença Salarial

As vantagens dessa medida é considerada superior a qualquer problema que possa ser causado. Isso acontece porque a maioria dos locais de trabalho norueguesa considera que o que os “colegas de trabalho” estão ganhando é algo proporcional ao seu salário.

Mesmo porque, em muitos setores, os salários são estipulados por meio de acordos coletivos, o que faz com que a diferença seja, relativamente, baixa.

Se considerarmos o gênero, a comparação também é pequena com padrões internacionais. O Fórum Econômico Mundial coloca a Noruega em 3º lugar no ranking de 144 países em termos de igualdade salarial entre homens e mulheres pelo desempenho da mesma função e setor.

Logo, esses números aparecem no Facebook, inclusive. Porém, para Tom Staavi e outros estudiosos, o governo deve criar medidas que motivem as pessoas a pensar duas vezes antes de bisbilhotar os detalhes salariais de um amigo ou colega.

Claro que isso só acontece se você logar com o seu número de identidade nacional para acessar o arquivo no site dos impostos do governo, e pelos últimos três anos tem sido impossível fazer essa busca de maneira anônima.

“Desde 2014, tem dado para saber quem está fazendo essas buscas sobre suas informações”, garante Hans Christian Holte, que é chefe das autoridades fiscais da Noruega.

“Nós vimos uma queda significativa, agora temos cerca de 1/10 da quantidade de buscas que tínhamos antes. Acho que isso tem diminuído essa mentalidade bisbilhoteira das pessoas”.

Por Que Bisbilhotam Tanto

Nos dias atuais, mais de 3 milhões de pessoas pagam impostos na Noruega, sendo que a população total é de 5,2 milhões de pessoas. Assim, as autoridades locais e fiscais contabilizam 16,5 milhões de buscas em 2016. Atualmente, há apenas 2 milhões de buscas por ano.

Em recente pesquisa foi comprovado que 92% das pessoas não querem encontrar informações sobre amigos, familiares ou amigos.

“Antes eu fazia essas buscas, mas agora fica visível se você fizer isso, então não faço mais”, conta Nelly Bjorge, uma mulher que passavam por Oslo.

“Eu ficava curiosa sobre alguns vizinhos, sobre algumas celebridades… seria legal saber se pessoas muito ricas estavam burlando o sistema, mas você não consegue saber sempre. Porque há muitas formas de conseguir reduzir sua renda”.

Os impostos indicam apenas o rendimento líquido das pessoas, incluindo ativos líquidos e os impostos pagos. Logo, quem tem muitas propriedades, por exemplo, terá muito mais do que números nessas listagens, já que o valor da propriedade tributável geralmente é inferior ao valor de mercado que ela tem.

Bullying por causa dessa “liberdade”

Hege Glad é professora de Fredrikstad, no sul de Oslo. Ela lembra que, quando era mais nova, os adultos costumavam filtrar os livros de renda e dados tributários, quer eram publicados anualmente.

“Sei que meu pai era um desses que ficava procurando. Quando voltada para casa, estava sempre de mau humor porque nossos vizinhos bem de vida estavam listados lá com pouca renda, sem nenhum ativo e a maioria deles tinha muito pouco imposto a pagar”.

Ela, porém, é a favor da transparência, admitindo que isso pode ter efeitos negativos. Foi o que ela pode constatar na escola.

“Lembro que uma vez eu estava entrando na escola e um grupo de garotos estava pronto para me dizer os rios de dinheiro que o pai de um deles ganhava. Depois, percebi que alguns garotos que andavam com eles, saíram de perto calados. O clima não era dos melhores”.

Segurança

Hans Christian Holte acredita que o governo chegou ao equilíbrio. O fato de pesquisas anônimas não serem mais permitidas também inibe criminosos de pesquisaram pessoas ricas, por exemplo.

As restrições, no entanto, não impedem que as pessoas continuem denunciando situações suspeitas.

“Nós gostamos quando as pessoas fazem buscas que nos ajudam a investigar a evasão fiscal, e a quantidade de denúncias que continuamos recebendo não caiu”.

Com informações da BBC

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