Robô de investimento vale a pena ou fundo de investimento é melhor?

Desde 2017 o governo tem reduzido a taxa básica de juros da economia para reestruturar as finanças do Brasil. Com isso, alguns investimentos perderam rentabilidade. Agora, em 2018, surgiu uma nova pergunta: será que o uso do robô de investimento vale a pena?

Esses robôs são usados para montar uma carteira de aplicações financeiras que seja rentável.

Eles são algoritmos que tem a missão de fazer isso de forma totalmente racional.

E foram criados por fintechs (que são empresas que criam inovações tecnológicas na área de finanças).

Na definição mais didática, “o robô de investimento cria, de forma automatizada, carteiras conforme o perfil de quem está investindo”.

“A premissa é montar uma carteira com vários ativos diferentes que combinados trazem o melhor retorno a um risco adequado ao perfil de investidor”, diz Luciano Tavares, da Magnetis.

E isso é feito com um valor mais baixo do que o comum, inclusive, a se pensar em taxas de administração que não devem ser altas para o pequeno investidor.

O Yubb é um buscador de investimentos que citou os maiores robôs do país:

No ano passado, eles tiveram rentabilidade média significativa em todo mercado financeiro: 131,54% do CDI (taxa próxima à Selic).

Isso quer dizer que um robô de investimento vale a pena? Calma, melhor você ler o artigo até o final antes de responder essa pergunta.

Eles ficaram na frente, até mesmo, dos fundos multimercados (que mesclam a renda fixa com a renda variável).

Durante essa leitura, separamos os seguintes tópicos:

  • A sua estratégia
  • Robô de investimento e investidor – aliados!
  • Quanto custa um robô de investimento?
  • Robô de investimento é seguro?
  • Robô de investimento x fundo de investimento?
  • A análise humana
  • Um mercado em desenvolvimento
  • O futuro
  • Como investir em robô de investimento
  • As dúvidas mais frequentes

Portanto, a leitura é longa sim, mas após ela, você terá uma opinião bastante concreta sobre a pergunta: robô de investimento vale a pena?

Robô de investimento – e a sua estratégia

Por ser um algoritmo, os robôs tem facilidade em encontrar resultados.

Só que isso tem que ser analisado conforme o seu perfil para investir – que é a base de tudo.

“A gente monta portfólios para que eles tenham a melhor performance com o menor risco”, garante Tito Gusmão, que é sócio-fundador da Warren.

Nesse robô as aplicações são a partir de 100 reais para fundos do tesouro direto.

A Monetus também faz a gestão de carteiras, mas focada na alta renda.

“Escolhemos cada uma das ações que compõem a nossa carteira, acompanhamos de perto”, diz Daniel Calonge, presidente da empresa.

Apesar de toda essa facilidade que um robô de investimento traz, Sean Butler, da Planejar, afirma que o investidor precisa ir atrás de conhecimento.

“Eles são ótima opção para diversificação, mas o conhecimento é relevante sempre, pois há variáveis para além da rentabilidade que o robô não capta”, diz.

“Não é só delegar o robôs sem querer saber o detalhamento da estratégia e se ela é adequada ao seu perfil de risco”, garantiu o especialista.

Robô de investimento e investidor – aliados!

Se a pessoa sabe investir e conhece o mercado, os robôs vão funcionar muito bem.

O importante é notar que ele não foi criado para que funcionasse sozinho com apenas o apertar de um botão.

A ideia é você programa-lo conforme seus objetivos. E isso envolve termos claros: em qualidade e quantidade.

Por exemplo, você acha que um iniciante deveria usar um robô de investimento?

Teoricamente, a ideia é não!

Isso porque se ele operar em prazos curtos, pode até saber o que está fazendo, mas ele não vai saber qual é o seu momento de resgatar o fundo para emergências.

Leia Tambémreserva de emergência: qual o melhor investimento para 2018?

Agora, se você tem absoluta certeza que vai pode investir por um longo prazo, então, o robô de investimento vale a pena, ao menos nesse caso e pode funcionar bem mesmo que você não conheça muito do mercado.

Robô de investimento – quanto custa?

Esse é outro ponto importante a ser analisado porque para entender se um robô de investimento vale a pena é preciso considerar quanto ele custa, né.

Se de um lado os fundos de investimentos cobram altas taxas administrativas para fazer escolhas de ativos, por outro, essas fintechs também cobram um valor pela gestão.

Claro que os valores são variáveis, mas quase sempre os robôs são mais baratos.

Na Magnetis, para você ter uma ideia, as taxas são mínimas chegando à 0,40% ao ano no máximo! – os fundos podem chegar a 4% ao ano!

Outro ponto a ser analisado é justamente o seu risco, considerando que nem todos os produtos são garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ou pelo Governo Federal.

Bem, o importante é notar que um robô vale a pena e não vai te dar calote.

Isso porque ele faz apenas a gestão da carteira e o dinheiro deve ficar na corretora de investimentos e não nele.

Como citamos a Magnetis, saiba que no caso desse robô de investimento o valor ficará disposto na corretora Easynvest.

Robô de investimento é seguro?

As corretoras (Rico), gestoras e administradoras dos recursos (Vérios, Warren) e as consultorias de investimentos (Magnetis) atuam sob a fiscalização do Banco Central e também pelo CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A BM&FBovespa também atua nessa regulação dos recursos e dos investimentos.

Essas empresas podem falir?

A segurança existe porque os recursos são registrados e guardados com o nome do investidor e o CPF (Cadastro de Pessoa Física) na Cetip e também na câmara de ações.

Além disso, alguns investimentos financeiros, como a caderneta da poupança, CDB, LCI, LC, LCA tem a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), na qual o limite é de 250 mil reais.

Os títulos públicos do Tesouro Direto têm o risco ainda menor porque são garantidos pelo Tesouro Nacional.

Os fundos de investimentos possuem CNPJ próprios.

Logo, em caso de falência, das empresas que fazem a gestão, administração e a custódia do fundo… Os recursos aplicados podem ser transferidos para outra instituição.

Robô de investimento x fundo de investimento?

Finalmente chegamos ao ponto chave desse artigo, né.

Afinal, é muito provável que você tenha aberto esta página justamente para saber qual é o melhor investimento para 2018: robô de investimento vale a pena ou fundo de investimento?

Para saber isso, vamos nos basear em várias opiniões.

“O Brasil tem muitas distorções e os robôs acabam por não captura-las como um gestor profissional faz”, diz Gustavo Pires, head de fundos da XP Investimentos.

Para ele, está claro que os fundos de investimentos (quando com taxas de administração baixas) são mais vantajosos ao investidor.

Ele cita, por exemplo, o fato de o mercado nacional operar com base em notícias.

Isso daria certo, mas apenas em mercados como o norte-americano, onde as performances (de gestores e robôs) são similares a um custo mais baixo.

No Brasil, a queda Selic tornou o mercado muito mais volátil do que já era, ele afirma.

“No caso brasileiro, há diversos setores enormes pouco representados na bolsa, como telecomunicações e agronegócio”.

Agora, vamos ao outro lado da moeda – a opinião da Magnetis, através do seu diretor Vinícius Maeda.

“Se eu bato o carro, por exemplo, não transmito esse sentimento para as carteiras dos clientes e não absorvo, portanto, o movimento de ganância ou pânico”.

A explicação dele é para o uso de robô de investimento como uma “proteção contra emoções”.

Ele também cita o balanceamento automático das carteiras.

“Temos algoritmos que monitoram os clientes e se há necessidade de rebalanceamento. A renovação automática de títulos encontra aqueles ativos que pagam maior rentabilidade”.

Independente das opiniões, o importante é notar que os fundos e os robôs dão conforto ao investidor.

Pimenta na receita…

Agora, para fechar esse tópico, confira o comentário do Infomoney, um dos sites mais importantes do país em termos de finanças:

“Os bons fundos são indicadores de mercado com consistência e tem pessoas com histórico vencedor muito mais longo que os robôs, que estão começando a dar os primeiros passos”.

Robô de investimento x a análise humana

Por trás de cada robô advisor há uma equipe de especialistas que cria uma estratégia que é executada pelo robô.

Logo, aplicar seu dinheiro nessa tecnologia não ignora a presença humana em um processo de estudos de cenários e da análise de mercado.

Os algoritmos não eliminam o trabalho do consultor – ao contrário, possibilita o aperfeiçoamento e fazem com que as pessoas possam ter acesso facilitado ao serviço.

A tecnologia não é rival das consultoras, portanto. Elas são ditas ferramentas digitais que ajudam a minimizar os riscos e a maximizar os lucros dos clientes.

Isso faz com que além da democratização haja também uma redução significativa nos custos dos serviços relacionados.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o robô de investimento vale a pena de uma forma tão grande que cresce muito a cada tempo.

E com maior margem do acerto das carteiras de investimentos montadas com o auxílio desses robôs tem representação de empresas como BettermentWealthfront e Personal Capital.

Para a consultoria At Kearney, os fundos gerenciados por robôs devem crescer e chegar a 5% em 2020.

No Brasil, o custo é a metade do valor cobrado pelas consultorias tradicionais.

Robô de investimento – um mercado em desenvolvimento

Os robôs podem sim ser a solução para muitos investidores – e nós não queremos questionar isso neste artigo.

Mas, temos que considerar que eles têm enfrentado barreiras no mercado financeiro.

Conforme o Instituto Gallup, em 2017, os investidores americanos não viram essas fintechs como substitutos de conselheiros financeiros confiáveis (gestores).

Em números, 49% optaram pelo relacionamento com o gestor. E apenas 24% disseram preferir as ferramentas digitais como principal forma de investir dinheiro.

Além disso, 62% dos entrevistados queria conselheiros humanos para tomar decisões por eles.

Para Pires, da XP, “é difícil para muitos investidores que geram patrimônios entender que é um robô que está fazendo a gestão das suas economias”.

E completa afirmando que “muitas vezes, o investidor quer conversar com alguém, olhar no olho. E essa distância que o robô de investimento traz é que parece ser a grande barreira”.

Ele acredita que no longo prazo, isso deve diminuir.

Em forma comparativa, a Magnetis já tem 40 mil cadastros.

“A maioria dos investidores é formada por homens. Mas há uma crescente no número de mulheres. E o investimento médio é de 40 mil reais”, diz Maeda.

Só que ele cita outra barreira: o investimento mínimo é de 10 mil reais – e isso faz com que muitos jovens que têm interesse percam a disponibilidade.

Pires conclui a ideia afirmando que esse é um mercado em desenvolvimento e que pode crescer conforme o mercado cresça também.

Na opinião dele, saber se um robô de investimento vale a pena vai depender das representações da economia na Bolsa, no patamar de juros e na tecnologia dos investimentos.

Robô de investimento vale a pena

Robô de investimento – é o futuro?

Maeda diz que ainda pode ser cedo para dizer se um robô de investimento vale a pena, mas há de se considerar que eles estão ganhando espaço.

“Apesar da automatização, temos uma equipe robusta, um comitê de investimentos, uma equipe de consultores que ajudam a executar a estratégia do investidor”.

E continua: “a tecnologia entra no processamento de dados e na execução, mas temos equipes por trás que faz a modelagem da estratégia”.

De maneira geral, ao que o mercado acredita, os robôs podem ter espaço, porém, ainda têm desafios a serem enfrentados no médio e longo prazo.

E, mais uma vez, a conclusão é do Infomoney: “enquanto os robôs não apresentarem resultados mais consistentes que os fundos, dificilmente eles deixarão de ser um serviço de nicho”.

Robô de investimento – como investir?

Isso vai depender de corretora de valores para corretora de valores.

Mas, no geral, temos os seguintes passos:

I – Testar um robô advisor após responder um questionário que pede informações para determinar seu perfil e seus objetivos.

II – Depois, os algoritmos analisam as informações e mostra uma simulação de um plano de investimento – com gráficos e dados da provável carteira.

III – Se tudo for aceito, o investidor pode virar um novo cliente e transferir o seu dinheiro para a conta da corretora – normalmente, através de um TED bancário.

IV – Os robôs realizam as ordens de compra dos investimentos. O cliente pode acompanhar tudo através do “painel de controle” pelo celular.

Com o tempo, há um rebalanceamento da carteira.

“A execução do portfólio de investimentos é automatizada, incluindo as ordens de compra de venda dos produtos, renovação automática de títulos e rebalanceamento periódico”, diz Luciano Tavares, da Magnetis.

No caso da Warren, o investidor recebe a sugestão da carteira com o perfil de risco e basta transferir o dinheiro para a conta da empresa ou pagar um boleto e tudo estará no sistema para aplicação imediata.

Nesse caso, porém, a lista de espera é grande e isso pode demorar algum tempo.

Robô de investimento – as dúvidas mais frequentes

Separamos algumas dúvidas frequentes entre nossos leitores sobre o tema.

O que os robôs de investimentos fazem?

Eles são programas que usam algoritmos para montar e balancear carteiras de investimentos conforme o perfil de quem está investindo.

O que fazer para usar um robô de investimento?

É ter uma conta nesse programa.

Depois, seus recursos devem estar vinculados à uma corretora de valores para que a ação seja executada da melhor forma.

Alguns investidores deixam o programa funcionando em computadores remotos, quando se trata de investimento na bolsa de valores.

Para a renda fixa, os robôs são usados para saber onde e quanto aplicar em cada opção.

É só ligar o robô de investimento?

Na verdade, como falamos em todo artigo, ele trabalha com o seu perfil para investir.

Sendo assim, pode demorar a entender as variações do mercado.

Logo, o ideal é que você ligue seu robô, mas esteja atento à ele sempre que possível.

Como quando entra em um fundo, você nunca deve fechar os olhos para sua aplicação.

Robô de investimento é home broker?

Não.

Embora ambos tenham como objetivo dar autonomia aos investidores, essas plataformas são bem diferentes.

O home broker é uma ferramenta oferecida pelas corretoras de valores, que dá a chance de o investidor realizar compras e vendas de ações pelos traders.

Leia TambémComo escolher o melhor home broker: 7 dicas!

Já o robô realiza uma estratégia de forma automática.

Robô de investimento faz o que bem entender?

Todas as operações feitas pelos robôs são descritas conforme estratégias.

Um fator emocional pode prejudicar qualquer investidor e não necessariamente o robô.

Se você é atingido (emocionalmente) e muda seu perfil, o robô também será atingido.

Entenda que um robô investidor é customizável.

Quais os benefícios do robô de investimento?

Sem pensar nas desvantagens, há alguns benefícios dos robôs de investimentos.

São eles: desconsidera o fator emocional, executa operações rapidamente, dá tranquilidade ao investidor na hora de investir, reduz erros durante a operação e dá para diversificar investimentos, além de outros.

É preciso saber de programação para usar robô de investimento?

Não.

A sua única tarefa é confiar em uma empresa que cria o robô e, claro, manter-se atualizado sobre seus investimentos.

Existem quantos tipos de robô de investimento?

Hoje em dia existem dois tipos de consultores-robôs. Confira…

I – Robô advisor

Ele faz a consultoria e a gestão da carteira de investimento de forma automatizada.

Os algoritmos usados analisam o perfil do investidor e os investimentos buscando o melhor mix de ativos para compor uma carteira de investimentos.

Ela pode incluir aplicações em renda fixa (como CDB, Letras de Câmbio, títulos do Tesouro Direto) e a renda variável (ações, câmbio e ouro).

Cada empresa pode ter um serviço conforme sua própria estratégia… Na maior parte das vezes, o foco é a diversificação dos ativos – que minimiza os riscos e maximiza o retorno no longo tempo.

II – Robô trader

O robô trader é um sistema usado para realizar operações de curto prazo, especialmente na renda variável.

É comum no uso das operações diárias (day trade)…

Esses robôs permitem que um investidor programe uma venda de emergência caso ela fique abaixo do patamar (stop loss) ou estipule uma venda de ações (stop gain).

Leia TambémComo operar em day trade!

Ele é muito usado para quem não tem tempo de acompanhar a volatilidade do mercado e quer tentar ganhar dinheiro no curto prazo.

Qual o melhor robô de investimento do Brasil?

Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, mas vamos nos ater a alguns fatores que podem te ajudar durante a sua escolha.

Atualmente, o mercado brasileiro tem alguns nomes importantes, como Magnetis, Vérios, Warren e Alkanza. Confira as características de cada uma delas…

Vérios e Warren

A Vérios e Warren administram e fazem a gestão da carteira porque são gestoras de recursos credenciadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A Vérios aplica em títulos do Tesouro Direto e ETFs.  E as aplicações partem dos 12 mil reais e os aportes adicionais são de 100 reais.

A taxa da vérios é de 0,95% ao ano e inclui as despesas dos produtos, a taxa de custódia e de corretagem, além de outras.

Já a Warren opta pelos fundos de investimentos da renda fixa e multimercados. E as aplicações são a partir de 100 reais.

A taxa da Warren é de 0,80% ao ano e inclui todas as taxas.

Magnetis

A Magnetis é uma consultora de investimentos e monta a sua carteira de investimentos. Tem como parceira a corretora de valores Easynvest.

Ela aplica em fundos DI, CDB, Letra de Câmbio, LCI, LCA, fundos multimercados e ETFs (fundos de índices).

As aplicações financeiras precisam ser a partir de 10 mil reais e os aportes adicionais são de 100 reais.

O custo total varia entre 0,49% e 1,18% ao ano – incluindo a taxa das aplicações (taxa de administração, de corretagem, outras).

Alkanza

A Alkanza é um robô que só faz recomendações de carteiras que é gerenciada pelos investimentos da corretora Rico.

Investe em títulos públicos do Tesouro Direto e ETFs. Além dos Fundos de Investimentos.

As aplicações financeiras são a partir de 3 mil reais.

As taxas são de 0,50% ao ano. O percentual, porém, não inclui o custo de cada produto, que tem a taxa de custódia e de corretagem.

Com informações do istoé dinheiro, senhor mercado, abc do investidor, infomoney