“Renda Fixa continuará a ser atraente em 2017”, afirmam os especialistas

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A já esperada aceleração no aumento das taxas americanas com Donald Trump no comando, e no Brasil com Banco Central, vai fazer com que a renda fixa dure mais do que se imaginava nas mãos dos investidores brasileiros.

Algo que, inicialmente, estaria ameaçado por um ritmo mais intenso de corte de juros, agora muda de plano. Os especialistas, por exemplo, esperam que a redução na taxa básica (Selic) tende a ser menos intensa, o que vai fazer com que as aplicações sejam beneficiadas por juros altos. Entre as aplicações mais indicadas está o título do Tesouro Direto.

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Sandra Blanco, da plataforma digital de investimentos Órama, em entrevista a Época Negócios, disse que “os juros vão ficar altos por mais tempo do que antecipávamos. Muita gente previa que a Selic cairia abaixo de 10% no fim do ano que vem, e agora estão tendo que rever isso. Com isso, a renda fixa vai continuar sendo uma boa oportunidade de investimento”.

Em outubro, quando o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu os juros – o primeiro corte em quatro anos – os investidores acreditaram que um ciclo agressivo de redução da Selic havia finalmente começado. No dia seguinte, o banco Santander, por exemplo, previu que os juros cairiam dos 14% em que estavam para 9,5% ao fim de 2017.

A Trovó Academy saiu no G1 e comentou a primeira queda da Selic em 4 anos. Relembre!

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Os contratos de juros futuros com vencimento em 2021 registraram a mínima de 11,07% naquele dia. Até que, no início de novembro, Trump foi eleito nos Estados Unidos: a percepção de risco cresceu e os mercados passaram a prever uma alta mais rápida dos juros americanos, o que teria reflexo nos emergentes, como o Brasil.

Investidores brasileiros começaram a ver no BC um excesso de conservadorismo. O corte de apenas 0,25 ponto na Selic na reunião de novembro, para 13,75% ao ano, a despeito da recessão profunda, consolidou essa percepção.

Houve ainda aumento de instabilidade política por questões como o caso Geddel Vieira Lima.

Com tudo isso, alguns economistas estimam que a Selic pode terminar o ano que vem ainda em 12%. A projeção do Bank of America Merrill Lynch (BofA) é de 11,25%. Para o banco, a Selic só ficará abaixo dos 10% no fim de 2018. Nas últimas semanas, o mercado financeiro vem pressionando o BC por cortes maiores, devido à recessão.

Reprodução: Google
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Para Paulo Figueiredo, diretor de Operações da assessoria de investimento FN Capital, o mercado viu na ata da última reunião do Copom sinais de que o BC vai acelerar o corte para 0,5 ponto a partir de janeiro. Ele não acredita que isso significará uma guinada de cortes ousados.

“O BC vai manter a cautela, esperando dados mais significativos de inflação. Toda essa situação dá, de certa forma, sobrevida à grande vantagem da renda fixa e mantém a atratividade de investimentos atrelados à Selic”, disse em entrevista a Época Negócios. Saiba quanto seu investimento pode render com a queda da Selic.

Segundo Figueiredo, com os juros ainda em patamar alto, uma boa opção de curto prazo são as aplicações pós-fixadas que acompanham de perto o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e, portanto, a Selic. Como o Tesouro Selic, título público atrelado à taxa básica, e os fundos DI.

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Já para quem quer deixar o dinheiro aplicado por alguns anos, Figueiredo cita os prefixados, cuja rentabilidade é determinada no início da aplicação. “A longo prazo, a tendência continua sendo de queda dos juros. Assim, esses papéis estão oferecendo hoje remuneração mais alta do que devem oferecer daqui para frente”, explica. “Logo, seria recomendável aplicar em pós-fixado a curto prazo e pré-fixado a longo prazo.”

O investidor deve saber que tirar o dinheiro após pouco tempo no Tesouro Direto e em fundos de investimento implica alíquota mais alta de Imposto de Renda. Quem saca a aplicação antes de seis meses recolhe 22,5%.

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Para prazos longos, Tesouro IPCA+ é melhor opção

Para prazos mais longos, o Tesouro IPCA+, que paga a inflação no período mais juros determinados no momento da compra. Nos próximos dois anos, a própria redução de juros vai diminuir o juro real do país, valorizando o título que for comprado agora. Com esse processo, o investidor poderá lucrar se sacar o investimento antes, embora isso envolva risco.

Isso também acontece com os títulos prefixados, mas o Tesouro IPCA+ tem a vantagem de representar uma proteção para eventual subida do dólar por causa de Trump. Isso porque, quando o dólar sobe, a inflação também tende a subir.

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No último dia 09 de dezembro, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2019 oferecia juros de 6% ao ano mais inflação; aquele com prazo em 2024, de 6,13%; e o de 2035 pagava 6,08% ao ano.

Para a Época Negócios, Flavio Lemos, diretor da Trader Brasil Escola de Investidores, afirmou em entrevista concordar que as antigas NTN-Bs são as aplicações mais recomendáveis a longo prazo, enquanto o pós-fixado é interessante para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento. Ele não recomenda prefixados.

“Esses papéis já estão pagando 12% ao ano. Não acho que essa taxa vai cair muito para os novos títulos no ano que vem. Tem de ser muito otimista para acreditar que a economia vai melhorar a esse ponto”, diz Lemos, que vê a Selic em 12% ao fim de 2017.

Reprodução: Google
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Ele acrescenta que há boas oportunidades em LCIs e LCAs, isentos de IR, e em CDBs. Mas lembra que é preciso sair do eixo dos grandes bancos para achar rentabilidades mais altas nesses papéis.

Fonte: Época Negócios

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