Com Nova Queda da Selic, Bancos dizem que vão Reduzir Juros de Crédito

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O Banco Central, através do Copom, anunciou uma nova queda da taxa básica de juros da economia em 1 ponto percentual, ficando em 8,25%. Com isso, os economistas e especialistas do mercado financeiro estimam que até o final do ano, a taxa estará em 7,50%.

Essa redução é importante para a economia do país e influência diretamente no mercado financeiro, como nos bancos, por exemplo.

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Antes de citar essa redução de juros para créditos por parte dos bancos. Confira as principais projeções dos principais consultores do Brasil.

BofA – 7,25%

O Bank of America Merrill Lynch reduziu a projeção da Selic de 7,75 para 7,25%.

“A linguagem do comunicado do Banco Central mostra possibilidade de novo corte. Com isso, revisamos nossa projeção para a Selic de final de ano”, disse o relatório de David Beker.

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BTG Pactual – 7,5%

O BTG Pactual também revisou o ciclo de corte.

“O mero fato do Copom considerar expressamente a possibilidade de mais um corte de 1 ponto em setembro já indica que o final do ciclo deve ficar abaixo dos 8%”, disseram Eduardo Loyo e Claudio Ferraz.

“O BC disse no comunicado que deve estender o ciclo se a conjuntura permanecer a mesma, o que reforça a percepção de que a política monetária pode sair do patamar de neutralidade”.

Nomura – 7,5%

A estimativa anterior era de 8% e caiu para 7,5%. Para João Pedro Ribeiro, o comunicado do Banco Central forneceu referência explicita à continuidade do ritmo atual de corte.

Para ele, os riscos associados à previsão da política monetária mais frouxa permanece relacionada a iniciativa de reforma fiscal. “O impacto até agora limitado da incerteza política não significa que seja irrelevante”.

Safra – 7%

De 7,5% para 7% na opinião do Safra.

Conforme Carlos Kawall, o BC deve continuar cortando a taxa básica até dezembro.

A redução de projeção de IPCA e ausência da repetição da ideia de desaceleração moderada do ritmo de flexibilização em comunicado do Copom influenciaram a revisão.

Goldman Sachs – 8%

O BC tem espaço para validar a expectativa de juro a 8% ao final do ano, diz o banco.

“É bastante relevante que, sob o cenário de mercado, a inflação projetada para o final de ano de 2018 tenha melhorado em 20 pontos-base desde o Relatório Trimestral de Inflação de junho, para 4,3% abaixo da meta”, diz o banco.

“Isso implica que, neste momento, tudo o mais constante, o BC tem espaço para adotar e validar a expectativa do mercado de uma taxa Selic a 8% no final do ano”.

LCA Consultores

A LCA não revisou o cenário, mas apontou que “o Copom sugere que Selic pode ser reduzida para 8%”.

Ela ainda fez uma ressalva importante: “Outras mudanças importantes foram: a exclusão do ano-calendário de 2017 do horizonte relevante para a política monetária e a inclusão de ajustes necessários à economia, de reformas creditícias, referentes à MP 777, que cria a Taxa de Longo prazo”.

O Banco Central está inclinado com a redução rápida e maior da Selic, disse a LCA, que vai reavaliar o mercado.

Itaú Unibanco

O banco manteve a previsão.

“Nós ainda vemos um caso para desaceleração do rito de alívio, dada a crescente incerteza sobre as importantes reformas fiscal e institucional, assim como diante do estágio do ciclo, então, por ora, nosso call segue que o próximo movimento será de 75 pbs”, destaca o economista.

Até onde vai a Queda dos Juros?

André Perfeito é mestre em economia política pela PUC/SP e economista da Gradual Investimentos e acredita que vai até 7%, com uma taxa de juro real de 3,5%.

Ele afirma que existem duas formas de ver a Selic no futuro:

No Curto Prazo – há um espaço para reduzir porque a atividade econômica está fraca e a inflação sob controle;

No Médio e Longo Prazo – há uma ilusão monetária, ou seja, os juros estão mais baixos aqui no Brasil e isso dá a impressão de que está tudo “mais ou menos” bem.

José Luiz Pagnussat também é especialista, professor da Escola Nacional de Administração Pública e ex-presidente do Conselho Federal de Economia e também acha que a taxa vai chegar a 7%.

Para ele, a Selic combate a inflação pelo lado da demanda. Já pelo lado da oferta, os preços caíram mais rápido devido a um ano excepcional para a produção agrícola, em função do clima.

Ele diz também que se no próximo ano tiver pressões inflacionárias, o BC terá que elevar a taxa de juros.

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) disse que a decisão do Copom é coerente com o cenário econômico. A inflação atual e a projetada para 2018 estão abaixo da meta. Conforme comunicado, ainda existe uma grande ociosidade no parque fabril e no mercado de trabalho.

“O grande desafio do Brasil é justamente voltar a crescer com inflação e juros baixos. E isso só será possível com o equilíbrio das contas públicas. Nesse sentido, o sistema Firjan reforça a importância e a urgência do Congresso Nacional aprovar a reforma da previdência, fator chave para a dinâmica das contas da União, dos estados e dos municípios”.

Outra instituição que opinou sobre a queda foi a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Para ela, ainda há espaço para cortes mais incisivos.

A retomada da economia começa a se desenhar e uma queda mais rápida da taxa de juros é a chave para acelerar o crescimento e a retomada do emprego.

A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) disse que o Banco Central acertou ao reduzir a Selic, considerando a atitude mais sensata diante do quadro.

Para ela, a inflação continuará em queda, o desemprego se mantém elevado e os sinais de recuperação ainda são fracos.

Como Entender a Taxa Selic

A Selic é a taxa básica de juros porque é usada pelo BC para pagar os investidores financeiros, incluindo os próprios bancos, por empréstimos. A partir disso, recebem rendimento dos títulos do governo, onde os bancos calculam o que vão cobrar dos clientes.

As instituições vão cobrar mais do que recebem de títulos da dívida pública, mas nunca menos.

Impacto na Inflação e na Economia

A taxa é usada para controlar a inflação como instrumento de inibição ou estímulos a demanda de produtos e serviços.

Quando os juros sobem, as pessoas gastam menos, cai a procura e diminui a pressão por aumento de preços. O efeito colateral do aumento de juros é a redução da atividade econômica.

Bancos Vão Reduzir Juros com a Queda da Selic

Com exceção da Caixa Econômica Federal, todos os grandes bancos nacionais informaram que vão reduzir as taxas de juros das linhas de crédito, como o Crédito Pessoal, Empréstimos e Financiamentos. Confira cada caso.

Itaú

O Itaú foi o primeiro banco a comunicar o repasse integral aos seus clientes levando em conta a redução de 1 ponto percentual da Selic. Conforme o banco, haverá mudança nas taxas do empréstimo pessoal e do cheque especial para pessoas físicas.

Micro e pequenas empresas também serão beneficiados com o capital de giro e o cheque especial com juros menores.

Cheque Especial, que de especial não tem nada, é a 2ª linha de crédito mais cara do Brasil

O banco disse, no entanto, que as taxas cobradas pela instituição variam de acordo com o perfil do cliente e o histórico dele com a instituição financeira.

Banco do Brasil

O Banco do Brasil também divulgou a redução dos juros para financiamento imobiliário do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e pela Carteira Hipotecária (CH).

O banco já havia reduzido os juros dessas linhas conforme os anúncios do Copom, desde julho.

No caso das Linhas SFH, as novas taxas vão variar de 9,42 e 10,44% ao ano. Já na CH, as taxas ficarão em 10,15 e 11,49% ao ano.

Bradesco

O Bradesco também disse que repassará o corte de 1 ponto percentual da Selic para as principais linhas de crédito de pessoa física e jurídica sem, no entanto, dar detalhes sobre isso.

Banco Santander

O banco cortou as taxas de juros das suas principais modalidades de crédito à pessoa física.

A taxa mínima do crédito pessoal caiu para 1,69% ao mês. E o financiamento de veículo caiu para 1,12% ao mês.

O banco também diz que as taxas de crédito já estão em vigor.

“Esse movimento reafirma nosso compromisso de manter as taxas de juros em patamares competitivos e, ao mesmo tempo, acompanhar a redução da taxa básica de juros”, disse Eduardo Jurcevic, que é superintendente executivo de Produtos de Crédito à Pessoa Física do banco.

Anefac diz que Juros para Pessoas Físicas caem pelo 9º Mês Seguido

A taxa média de juros cobrada pelos bancos aos consumidores caiu pela 9ª vez, conforme uma pesquisa divulgada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Em agosto, a taxa de juros era de 7,54% ao mês (INCRÍVEIS 139,24% ao ano).

A pesquisa foi feita em seis linhas de crédito diferentes e do total, quatro tiveram queda.

Linhas de Crédito que tiveram queda de juros:

  • Juros do Comércio,
  • Cheque Especial,
  • CDC-Bancos-Financiamento de Veículos,
  • Empréstimo Pessoal Financeiras.

Linhas de Crédito que tiveram Alta de juros:

  • Cartão de Crédito,
  • Empréstimo Pessoal-Bancos.

No caso do cartão de crédito, a alta subiu para 13,36% ao mês.

Miguel Ribeiro de Oliveira é o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas Anefac, e diz que o resultado é atribuído à redução da Taxa Básica de Juros da Economia, que está em 8,25%.

“Tendo em vista o cenário econômico atual, aumenta o risco de elevação dos índices de inadimplência por conta da recessão econômica em curso, bem como o desemprego elevado, isto aumenta igualmente o risco de novas elevações das taxas de juros aos consumidores, tanto na pessoa física quanto na jurídica”.

Até os Créditos Imobiliários tiveram melhoras com a redução dos juros

“Ocorreram reduções expressivas nas taxas de juros dos financiamentos por parte dos principais agentes financeiros, além de melhorias em outros aspectos operacionais, como aumento nos limite do valor”, disse o professor de finanças do Ibmec-Rio, Nelson de Souza.

A expectativa é a de que as condições atuais se mantenham e melhorem. Souza diz que a origem dos recursos de financiamentos são as captações da poupança, que aumentaram nos últimos dois meses.

“Como os bancos dispõem de mais recursos e estes têm necessariamente de ser direcionados para financiamentos específicos, entre eles os imobiliários, a tendência é que haja uma oferta relativamente elevada nesta área”.

“Um imóvel que custava 500 mil reais agora sai por cerca de 360 mil reais, o que possibilita parcelas de 2,9 mil reais, dependendo da entrada”, diz o presidente da Sawala Imobiliária, Edson Pires.

Porém, Fábio Neves, que é economista, recomenda tomar muitos cuidados.

“Neste meio tempo, estude as melhores opções do mercado de crédito imobiliário”.

“É importante ter noção das reais necessidades de moradia e, em muitos casos, optar por um endereço mais acessível. Assim não se compromete uma parcela significativa da renda e, no futuro, pode ser feita a troca por outro, já que o proprietário terá o imóvel quitado para compra de outro de maior valor”.

“Também é bom ter uma reserva extra porque a compra de um imóvel e a contratação de um financiamento geram outras despesas necessárias para a conclusão do negócio”, disse o sócio da administradora e imobiliária Karioca Imóveis, Rafael Klein.

“É muito importante procurar qual banco tem a melhor taxa de juros. No decorrer do período de financiamento, isso pode trazer uma grande economia e a diferença costuma ser gritante”.

Com informações do JCOnline, Infomoney, Globo, UOL e NexoJornal

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