Fundo garantidor de crédito aumenta limite da cobertura

O limite da garantia ordinária para investidores continua sendo de 250 mil reais por cada instituição financeira. Mas, as coberturas do fundo garantidor de crédito para cada investidor subiu para 1 milhão de reais a cada 4 anos.

A aprovação aconteceu pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A vantagem agora é que cada pessoa pode ter várias aplicações financeiras seguras pelos bancos, de várias instituições, em um limite maior.

Outro benefício é que os investidores pessoas físicas não residentes no Brasil também têm direito à cobertura a partir de agora.

Uma pessoa pode ter 4 aplicações em renda fixa em bancos diferentes com um valor de 250 mil cada uma (o que soma 1 milhão de reais) e estará seguro.

Antes, o FGC só garantia apenas uma dessas aplicações financeiras.

O motivo aconteceu após um diagnóstico feito pelo fundo garantidor de crédito, que havia se tornado uma peça de marketing para a captação de bancos de menor porte.

Daí, como consequência, o investidor negligenciava o risco comprando apenas papeis com a cobertura, sem avaliar, na real, a situação de crédito de cada instituição, que também podem ser as financeiras.

Dessa forma, os investidores optavam por fundos ou mesmo pelo Tesouro Direto.

Com a medida, o fundo garantidor de crédito pretende aumentar a busca dos investidores pelos títulos que são assegurados por tal fundo.

Em nota, o Banco Central disse que o objetivo é alinhar a atuação do FGC às melhores práticas internacionais para sistemas de garantia de depósitos.

O fundo garantidor de crédito é uma associação sem fins lucrativos criados pelos bancos nos anos 1990.

A criação foi para dar segurança aos investidores de eventuais riscos financeiros, como a falência dos bancos.

O que os especialistas dizem

André Loes é o diretor do fundo garantidor de crédito e fala que “a medida é saudável ao reduzir uma distorção, que era ter uma garantia ilimitada e buscar maximizar o retorno de um investidor sem preocupação nenhuma com o risco”.

E continuou: “o fundo garante produtos emitidos por instituições financeiras”.

E nós falamos falar quais são elas abaixo.

Para ele, o investidor que tem mais de 1 milhão de reais tem acesso que um poupador comum não tem.

“Eu devo garantir o investidor que não sabe discernir facilmente que aquele instrumento que ele está comprando é de alto risco”.

Ele diz que parte dos investidores pode migrar para outros produtos.

“Mas não me preocupa o impacto na captação por causa da ordem de grandeza. Estamos falando de um número de contas e valores relativamente baixos”.

“O censo mostra que 99,7% das contas estão abertas pelo limite de até 250 mil”.

Para Alexandre Chaia, que é do Insper, o impacto será pequeno.

“Claro que houve perda de direitos, mas a medida é mais um reconhecimento de que, em uma situação de risco sistêmico, com mais de um banco quebrando ao mesmo tempo, não haveria dinheiro para pagar a todo o mundo”.

Chaia acredita também que a mudança deve gerar perda de competitividade aos bancos menores. “O investidor pode pensar que é melhor buscar bancos maiores”.

Já Loes diz que “os bancos vão adaptar o foco comercial e vender para um número maior de pessoas que têm valores menores”.

fundo garantidor de crédito FGC

Reprodução: Google

Aplicações garantidas pelo fundo garantidor de crédito

Veja as aplicações financeiras (ou não) que são asseguradas pelo FGC.

Caderneta da poupança

É a forma de guardar dinheiro mais antigo e mais usado no Brasil.

É isenta de imposto de renda e qualquer outro.

Além de dar ao investidor uma rentabilidade mensal, atualmente, limitada a 70% da taxa Selic somada a taxa referencial.

Depósitos em conta corrente

Não é bem um investimento financeiro porque não rende lucros, mas são feitos em contas bancárias e, por isso, podem ser chamados de créditos.

O fundo garantidor de crédito também asseguram esses depósitos.

Logo, se o banco quebrar, o consumidor tem direito a receber o valor correspondente, desde que não ultrapasse dos 250 mil reais por instituição financeira.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

É uma opção da renda fixa que é emitida pelos bancos para captar recursos e emprestar a terceiros.

Ele pode ser fixado ou pós-fixado. Assim, ele varia conforme o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), na maior parte das vezes.

Eles também são seguros pelo FGC.

Letras de Crédito Imobiliário ou do Agronegócio

Também são emitidos pelos bancos para captar recursos para os setores imobiliários e agrícolas.

O investimento é isento de imposto de renda e fica atrelado ao CDI.

Letras de Câmbio

São títulos de dívidas emitidos pelas instituições financeiras e não necessariamente por bancos.

O câmbio no nome não tem a ver com as moedas, mas sim com uma troca financeira.

Letras Hipotecárias

São títulos de dívidas emitidos por instituições financeiras autorizadas a conceder créditos hipotecários.

O papel é garantido por créditos imobiliários.

Conheça também o CRA

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio também são garantidos pelo FGC.

Os CRAs são títulos privados de dívida emitidos por uma empresa que tenha o objetivo de captar recursos no mercado.

A maior parte desse investimento é disponível para investidores que tenham “bala na agulha”, ou seja, mais de 1 milhão de reais.

Porém, a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) está estudando a possibilidade de delimitar as CRAs que podem ser adquiridas por investidores menores, desde que sejam garantidos com critérios de proteção.

Um dos motivos para tal é que o Mercado Aquecido.

Até o fim de abril deste ano, foram registrados mais de 3 bilhões de reais em CRAs na B3 (Antiga BM&FBovespa), elevando o estoque desses papéis para mais de 20 bilhões de reais.

O número é mais que o dobro dos 9 bilhões de reais que haviam no mesmo período de 2016.

“Estamos a analisando a consulta pública da CVM. A abertura poderia ocorrer sob determinadas características”, afirma André Lassance, chefe de Renda Fixa da XP Investimentos.

Ele também afirma que tudo vai depender da estrutura da cada certificado.

A XP é quem coordenou a oferta de CRA da empresa de fast-food Burger King em 2016.

FGC e a Instabilidade Econômica

“Neste momento, estamos na maior crise da história do Brasil e teremos em 2017 um crescimento de menos de 1%”.

“Isso é extremamente preocupante, pois algumas instituições financeiras e empresas que captaram recursos no mercado através de emissões de títulos privados estão operando vermelho”.

A frase acima é de Fernando Marcondes, do Grupo GGR.

Para ele, conforme o cenário atual, a maior parte dos grandes bancos pode estar envolvida em casos de escândalos como tem sido noticiado pela operação Lava-Jato.

E isso agrava a situação e cria um risco, de efeito dominó.

“Caso ocorra um problema grave numa grande instituição ou empresa, o total do FGC, pode não garantir seus investimentos”, ele lamenta.

Conforme Fernando o mais recomendável é entender que o FGC foi feito para garantir problemas pequenos, se comparado ao volume total de depósitos garantidos, que é de 2%.

Quando o problema é maior do que isso, de fato mais institucional, e atinge os maiores investidores, o Fundo pode não conseguir garantir todos os segurados.

Exemplo

Um exemplo é o Banco Bilbao Vizcaya Argenaria (BBVA), que teve clientes que demoraram até 12 meses para receberem seus dinheiros e isso aconteceu sem que houvesse correção monetária.

Isso significa uma perda de 10%.

“É mais adequado investir em um ativo com uma remuneração menor, porém com menos risco de crédito”.

“É importante ressaltar o fato de que o investidor tem que ficar preso no investimento a longo prazo até o resgate, com a possibilidade de não conseguir vender o título no meio do caminho”, ele diz.

De qualquer maneira, para todos os casos, ele diz que:

“É imprescindível o acompanhamento dos investimentos por um profissional experiente e com um bom relacionamento no mercado financeiro, pois, muitas vezes, este sugere uma alocação adequada do seu patrimônio de forma não emocional”.

Com informações do Valor, G1 e Folha