Cartão de crédito – 17 coisas que ninguém conta e pode mudar sua vida

No Brasil, quase todas as pessoas já nascem sabendo o que é e para que serve um cartão de crédito. Na verdade, o que elas não sabem é como esse pequeno pedaço de plástico pode destruir a vida financeira dela em questões de dias ou meses.

Os números provam o que estamos dizendo nesse começo de texto: o cartão de crédito é o grande vilão dos inadimplentes brasileiros.

Em palavras mais simples é o mesmo que dizer que as pessoas se endividam porque não sabem usar o cartão de crédito da forma que deveriam.

Para Reinaldo Domingos, que é do setor da educação financeira, o problema é que nós não sabemos que esses cartões são apenas meios de compras.

“O problema está na ausência da educação financeira dos consumidores, aprendemos a consumir e não a poupar. Lógico que as taxas de juros são altas, porém, todos nós sabemos disso e mesmo assim abusamos desta ferramenta de consumo”, ele afirma.

“Como é difícil assumir os próprios erros é comum ouvir de consumidores que o problema é o cartão de crédito e não o que se comprou com ele. É necessário que se tenha a consciência”, conclui o pensamento.

Mas, assim sendo, o que seria usar o cartão de crédito com sabedoria?

Separamos alguns pontos para mostrar como funciona isso na prática.

17 coisas que ninguém conta

Essas coisas que ninguém te conta, as vezes, nem é por maldade. Só que algumas vezes é sim.

Um gerente de banco, por exemplo, que tem filhos para criar e uma família toda para sustentar, o que ele precisa fazer? Vender os produtos do banco para receber o salário e ganhar comissão.

Então, muitas vezes ele acaba omitindo algumas informações que poderiam te ajudar a não cair em armadilhas. Essa vista grossa que eles fazem não é uma regra, mas existem em todos os bancos do país – até mesmo nos grandes.

Confira cada um dos itens abaixo e comece a considerar uma autoeducação na hora de usar o cartão de crédito a partir de hoje.

As informações abaixo são de Reinaldo Domingos e também de Samy Dana, que é outro especialista em educação financeira e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

1 – os produtos são mais caros no crédito

Talvez você nunca tenha notado, mas as compras feitas com cartão de crédito sempre são mais caras porque essa forma de pagamento inclui juros.

Aliás, você já viveu a situação onde um vendedor oferece um desconto para quem pagar o produto a vista, não é? Portanto, o contrário também vale: compras a crédito são mais caras.

Em resumo, ainda que possa ser uma boa opção para parcelar compras, o cartão de crédito pode te fazer gastar mais por um produto que custaria menos se fosse pago no dinheiro em espécie.

2 – compras que ficam escondidas

Você pode até saber que tem um limite de 1 mil reais no cartão de crédito.

Só que se você não for anotando todos os gastos ou acompanhando o aplicativo do banco, esse gasto vão ficar escondidos e você pode perder o seu limite – o que vai prejudicar o orçamento financeiro do mês seguinte.

Aqui podemos falar no efeito bola de neve que é justamente quando deixamos de visualizar algumas despesas do cartão de crédito e acabamos não tendo condições reais de fazer o pagamento integral.

3 – o cartão de crédito impulsiona os consumidores

Está provado em pesquisas que o comércio oferece muitas oportunidades (através da estratégias de marketing) para estimular as compras que, tantas vezes, são desnecessárias.

Quando você está com um cartão de crédito na mão, a impressão que tem é a de que tem dinheiro para comprar o que quiser. Mas não é assim que funciona porque o crédito só vai jogar para frente seu débito, mas ainda assim você terá que pagá-lo.

Se você tem algum instinto consumista, o ideal é evitar sair com o cartão de crédito na bolsa. Em caso contrário, corre um risco desenfreado de gastar mais do que deve.

4 – o pagamento integral da fatura

Pagar as faturas sempre em dia é o melhor comportamento para quem tem cartão de crédito.

Isso porque quando esse pagamento não acontece o banco compra juros por emprestar um dinheiro a você e você tem a chance de parcelar a sua compra.

“A taxa de juros usada na rolagem de dívidas do cartão de crédito é uma das mais elevadas. Se perceber que não vai conseguir quitar o valor, procure o banco e negocie um empréstimo no montante da dívida”, diz o economista Samy.

“Pague a fatura e passe a dever em outra modalidade, que provavelmente cobrará juros mais baixos”, completa.

5 – cartão de crédito sem anuidade

Atualmente, no mercado financeiro, existem várias opções de cartões de crédito que não tem anuidade (tipo o Nubank e do Banco Inter) ou tem valores mínimos cobrados por eles.

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Claro que é preciso cuidado porque quando terminar o prazo, a renovação pode ser feita automaticamente e aí começa a cobrança de valores (muitas vezes indevidos).

O ideal é ficar sempre atento às faturas ou aos aplicativos.

6 – escolha da data de vencimento

A escolha da data de vencimento também é uma estratégia que pode ser usada pelos usuários do cartão de crédito.

O ideal, conforme os economistas, é que o vencimento seja próximo ao pagamento (salário) que o consumidor recebe. Isso facilita o controle do orçamento financeiro.

Aqui, porém, vale um cuidado: se o salário costuma atrasar, então, melhor dar uma extensão maior entre os dias (do recebimento do salário e do vencimento da fatura do cartão).

7 – guardar os canhotos das compras

Essa é uma ideia simples para que você tenha o controle sobre os seus gastos, por isso, é um complemento ao tópico 2.

Em todo lugar que você for e efetuar uma compra com o cartão de crédito, guarde o canhoto ou anote (imediatamente) em uma planilha do excel ou aplicativo.

Dessa forma você consegue estabelecer quanto ainda tem de crédito e quanto já gastou.

8 – tenha um único cartão de crédito

Se você é uma daquelas pessoas que querem, por qualquer motivo do mundo, ter um cartão de crédito, então, definitivamente, tenha um – mas apenas um!

Ter dois ou mais cartões de crédito com datas de vencimentos diferentes, de bancos diferentes, com saldos diferentes não é uma boa opção para ninguém – nem mesmo para os mais controlados financeiramente.

A ideia do cartão de crédito é a de parcelar as compras e isso não quer dizer que o cartão de crédito é uma extensão do salário.

O salário será o mesmo e você só vai aumentar o período de pagamento, nada mais.

Então, por que ter vários cartões se você pode se complicar com isso?

Se quer fazer várias compras, então, melhor nem ter um único cartão de crédito – levando em conta que o ideal é comprar a vista, sempre.

9 – o limite do cartão de crédito

Esse é um ponto importante que precisa ser levado em conta desde o início.

O limite do cartão de crédito, de forma geral, é oferecido pelo banco conforme a renda do cliente. Geralmente, não passa de 30% de toda a renda. Mas, há bancos que são mais flexíveis.

A dica dos especialistas é nunca ter um limite muito alto porque isso pode incentivar o consumo.

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10 – os benefícios do cartão de crédito

Todos os consumidores tem que saber que o gerente vai oferecer um cartão de crédito que tenha vários benefícios e muitas vantagens.

Existem planos de fidelidade, descontos em bares e restaurantes, milhas de passagens aéreas, entre outros.

Nesse caso, o cuidado é para com o plano que pode forçar o cliente a ficar com o banco por mais tempo do que gostaria. E, além do mais, nem todos são mesmo benefícios.

Cartão de crédito – 17 coisas que ninguém conta e pode mudar sua vida

Reprodução: Google

11 – cartão de crédito internacional

Outro cuidado é para com os cartões internacionais.

A facilidade aparece quando os clientes vão para outros países. Nesses lugares, eles podem usar o cartão como forma de pagamento.

O que eles não sabem é que a fatura do cartão de crédito é feita em um dia diferente da compra. Logo, o valor final pode ser diferente e você vai acabar gastando mais.

Nessas compras também há a incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

12 – contrato do cartão de crédito

Aqui talvez seja o tópico mais importante porque é onde tudo tem que estar escrito. Sua segurança estará toda no contrato, principalmente com questões sobre juros, pagamentos, prazos, compras.

Para o Procon, o contrato firmado é um contrato de adesão, logo, as clausulas são todas expostas apenas pela administradora do cartão (o banco). Por isso, é tão importante ler.

13 – o cancelamento do cartão de crédito

Esse é um ponto que costuma causar muita dor de cabeça em vários clientes.

O importante é saber que, conforme o Procon, o contrato pode ser rescindido de acordo em comum com ambas as partes.

A administradora do cartão tem que disponibilizar um telefone para contato, com ligação gratuita e a opção de solicitar informações sobre o cancelamento.

Após a solicitação, a administradora tem que tomar as providências, como não emitir mais as faturas e nem mesmo com a cobrança de anuidade ou outro serviço atrelado.

Além disso, tem que disponibilizar um comprovante (por correspondência ou telefone).

14 – o recebimento da fatura

O recebimento da fatura do cartão de crédito também é importante e vamos explicar por que.

De maneira geral, no Brasil, todas as faturas dos cartões de crédito são enviadas mensalmente aos consumidores e tem que demonstrar a movimentação financeira dele no período.

Nele também tem que estar a data de vencimento, valor total a pagar, valor para pagamento mínimo, encargos contratuais e o limite do crédito.

Hoje em dia, com o avanço da tecnologia, esse recebimento pode ser feito via online – por e-mail, celular ou outros meios.

O que não pode acontecer é a falta dessa fatura porque o atraso no pagamento acarreta em multa. Logo, o consumidor tem o direito de pedir o ressarcimento da dívida.

Se a falta de envio permanecer por longos meses, o ideal é procurar o órgão de defesa ao consumidor.

15 – cartão de crédito sem a solicitação

Outro ponto que dá muita dor de cabeça é o envio do cartão de crédito sem que o cliente tenha solicitado ao banco.

Essa é uma prática totalmente abusiva e tem que ser informada ao Procon.

O mesmo vale para quando o cartão múltiplo é imposto. Esse cartão é um que tem as duas funções: crédito e débito.

Descubra Como Sair das Dívidas Usando o Cartão de Crédito 

O consumidor não é obrigado a aceitar esse tipo de cartão e o banco não pode se negar a atender a solicitação de desmembramento dos cartões – sendo que a escolha é do cliente.

16 – cobranças do cartão do crédito

Um cartão de crédito pode ter várias cobranças, mas nem todas são corretas. O mais comum e aceitável são os seguintes:

  • Anuidade,
  • 2ª via do cartão (exceto quando o motivo é a perda, roubo ou danos),
  • Pagamento de contas na função de crédito,
  • Uso de canais de atendimento para saque de dinheiro,
  • Avaliação emergencial do limite de crédito.

Qualquer cobrança além dessas pode ser considerada abusiva.

17 – renegociar as dívidas

Com a alta tecnologia do mundo moderno, existe um turbilhão de opções de renegociar dívidas.

Mas, o telefone ainda é o mais usado. No entanto, o melhor conselho é aquele que diz para fazer isso pessoalmente.

O telefone, neste caso, torna-se totalmente impessoal, sem que o atendimento leve em conta as argumentações claras do consumidor assim como do gerente do banco ou de quem estiver renegociando.

Além do mais, por telefone, a atendente tem a VERDADEIRA função de insistir no pagamento do valor mínimo da sua fatura, o que é péssimo para você, já que só vai aumentar o problema.

A saída mais viável é ir até o banco pessoalmente e abrir o jogo. Revele sua dificuldade, mas nunca sem deixar transparecer o seu medo. Imponha-se diante do atendente.

Mostre que você sabe dos seus direitos e que sabe também que o banco precisa ajustar a dívida com a sua necessidade.

Cartão de crédito – 17 coisas que ninguém conta e pode mudar sua vida

Reprodução: Google

Bônus: Como Usar o Cartão de Crédito como Aliado do Controle Financeiro

Vale dizer que as dicas e recomendações abaixo são direcionadas para quem tem controle sobre o próprio dinheiro. Se você é uma pessoa que não consegue usar essa modalidade como ferramenta de pagamento, então, melhor não continuar lendo.

Limite

Limites! Essa é a primeira palavra de ordem para quem quer usar o Cartão de Crédito de forma consciente. O ideal é sempre colocar limite. E qual será esse limite? Sempre será aquele valor que você pode gastar no mês nos gastos ditos “consumo”.

Alguns especialistas dizem que esse valor deve ser, sempre, de no máximo, 30% e nunca mais do que isso, referente aos ganhos mensais.

Mas, sabemos que isso vai variar de pessoa para pessoa porque se você já tem financiamentos e empréstimos (ou dívidas), então, essa porcentagem cai bastante.

O limite, ATENÇÃO, não é aquele oferecido pelo banco e sim aquele referente à sua renda mensal. Você define o seu limite.

Opção de Planejamento Financeiro

Algumas pessoas dizem que o Cartão de Crédito é uma boa opção para o planejamento financeiro porque filtra todos os pagamentos para um único dia.

Assim, se você tem alto limite, poderá fazer praticamente todas as compras no crédito (supermercado, combustível, remédios) e aí, sempre no dia certo, você saberá quanto está gastando.

MAS MUITA ATENÇÃO: essa linha é muito tênue. Se você falhar ou gastar mais do que pode pagar, vai se F***. Literalmente!

Porque com valor alto, os juros sobre eles serão imensos. Portanto, apesar de algumas pessoas afirmarem que dá certo, não é o que recomendamos.

O melhor é usar o dinheiro em espécie, sabe? O dinheiro vivo.

Porque assim você consegue controlar quanto gastou e quanto ainda pode gastar naquele momento. Os psicólogos mesmo dizem que ver o dinheiro saindo do bolso dá uma sensação mais real do que quando passamos o cartão de crédito.

Se você optar por isso, vale uma dica de ouro: Acompanhe o seu Gasto Diariamente.

Anote tudo todos os dias para nunca passar o seu limite e não conseguir bancar depois. Digamos que você receba 2 mil reais de renda, então, quanto o valor estiver próximo disso, já é hora de parar, por exemplo.

Compras Parceladas

As compras parceladas são delicadas demais. A regra é nunca parcelar por muito tempo.

Para especialistas, o máximo é de 3 meses. Quanto ao valor, é preciso ainda mais atenção: sempre valores que estão de acordo com o planejamento financeiro pessoal.

Sempre que for possível, junte o dinheiro e compre a vista. Isso te ajuda a economizar dinheiro porque terá desconto e não vai precisar passar o cartão de crédito.

As compras parceladas valem não apenas para o cartão de crédito, mas também para financiamentos, que costumam ser longos e desvantajosos do ponto de vista financeiro.

O Pagamento Mínimo da Fatura

Nunca é aconselhável, em momento algum. Se você sabe o limite do seu faturamento, que você já estipulou lá no tópico de cima, então, você não deve ultrapassar esse limite e nem ter problemas para pagar a fatura.

Se você gastou mais do que deveria, sinceramente, você vai precisar fazer algo muito mais trabalhosa e RÁPIDO: encontrar algum empréstimo pessoal que tenha juros mais baixos para quitar a sua fatura do cartão de crédito.

Acredite, a diferença de juros é bem representativa.

Isso vai te ajudar a não entrar tão rápido no endividamento. Mas, se você continuar gastando mais dinheiro do que tem no mês, não vai adiantar muita coisa, na real.

O mais importante de tudo é estabelecer e respeitar suas metas e seus limites financeiros.

Seguindo essas regras, você não precisa se desfazer do seu cartão de crédito.

E dividir a compra em dois cartões de crédito?

É cilada, Bino. Essa flexibilidade de pagamento que existe em lojas físicas permite dividir o valor de uma compra em dois cartões de crédito diferentes. Assim, também é possível parcelar em opções diferentes.

Tudo conforme o desejo do consumidor. Mas, na prática, amiguinhos, isso faz com que o consumidor aumente o limite de crédito dele. E aí, aumenta o risco de super endividamento.

“Muito se fala em uso consciente do cartão de crédito. Mas deveríamos também falar sobre responsabilidade na concessão”.

“Ainda mais em um momento no qual o cartão de crédito é alvo de medidas como a que deve reduzir os juros pagos no crédito rotativo, cobrados quando o consumidor atrasa ou não quita o valor da fatura”.

A frase acima é de Ione Amorim, economista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

Então, a dica que fica é: não se deve utilizar dois cartões no mesmo pagamento.

“Como o consumidor está comprometendo mais do que 30% da renda, qualquer imprevisto pode provocar um grande descontrolo no orçamento”.

“Ainda que não haja imprevistos, é necessária muita disciplina para acompanhar gastos em mais de um cartão, ainda mais se forem parceladas”.

O ideal – e super indicado – é quitar as compras já existentes no cartão para aumentar o limite de crédito disponível até que o valor seja suficiente para realizar a aquisição.

Ter ou Não Ter Cartão de Crédito: Eis a Questão!

Se você viu o vídeo, você notou que existem 3 pontos positivos do Cartão de Crédito, tais como a facilidade do poder de compra, o acúmulo de milhas (para quem viaja) e a facilidade de compra, que pode ser feita, por exemplo, pela internet.

Mas, atente-se ao fato do pagamento da Parcela Mínima! É ele que vai fazer você pagar juros, entrar em dívidas e chegar à falência.

Com informações do infomoney, bonde, ig