5 questões importantes sobre a Previdência Privada: Ter ou não Ter, eis a questão!

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Os fundos de Previdência Privada tem caído no gosto de muitos brasileiros, afinal, a projeção pode chegar à 1 milhão de reais se você pensar a longo prazo. Uma simulação rápida pela Caixa Econômica Federal te dá esse valor, por exemplo. Com 100 reais mensais, acrescidos pela Inflação, em um período de 40 anos, você terá o famoso milhão! E, supondo que você tenha 25 anos, após 40, vai ter 65 anos, ou seja, a idade da aposentadoria.

Pensando assim, tudo parece lindo. Quem não gostaria de aposentar com 1 milhão de reais no bolso? No entanto, será que é mesmo assim que as “coisas” funcionam? Fomos atrás e, com informações da revista Exame, verificamos que existem algumas armadilhas feitas pelos bancos que normalmente ficam escondidas dos clientes. E, agora, nós vamos trazê-las a tona!

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Mas, antes, vamos contar uma historinha para vocês entenderem o que é, de fato, a Previdência Privada. Ela é uma aposentadoria que não está ligada ao governo, ou seja, ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Na maioria das vezes, é usada para complementar essa renda e, em todos os casos, tem a fiscalização da Susep (Superintendência de Seguros Privados).

A maior diferença entre o benefício público é o privado é que, nessa última opção, o beneficiário poderá escolher o valor da contribuição e a periodicidade dela. Assim, como mostramos acima, uma pessoa pode contribuir com 100 reais por mês ou por ano, se preferir. O rendimento estará atrelado ao tempo e ao valor investido, obviamente.

Outro ponto é que esse benefício pode ser resgatado antes da aposentadoria, mas isso, quase nunca, é compensador. Atualmente, existem 2 tipos de previdências privadas no Brasil. São eles:

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  1. Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) – Que tem o valor pago abatido no Imposto de Renda, desde que esse valor represente até 12% da renda bruta anual. O imposto, quando o dinheiro for sacado, será ao valor total do fundo.
  2. Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) – A diferença para o de cima é que não pode ser abatido no Imposto de Renda. Quando for sacado, o imposto será abatido em cima do investimento.

Qualquer pessoa pode ter uma previdência, sem que seja necessária a comprovação de renda, por exemplo. Ultimamente, tem sido muito usada por pais que querem “garantir” o futuro do filho e, assim, começam a pagar uma previdência desde muito cedo, quando o filho ainda é um bebê. No entanto, entre as taxas, estão a de carregamento, gestão e saída. Por isso, o que pode parecer muito vantajoso hoje, talvez não seja, o futuro.

De qualquer forma, todas as dúvidas podem ser tiradas pelo atendimento da Susep, no 0800-21-8484 ou pela internet.

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Reprodução: Google

Vamos analisar agora, alguns fatos sobre a previdência privada que ficam escondidos dos clientes, seja por intenção mercadológica dos bancos ou por falta de conhecimento dos consumidores.

1 – Taxa de Administração

A maioria dos fundos de capital inicial baixo cobram taxas altas. Essa informação é da consultoria NetQuant, especializada em previdência, que, através de uma pesquisa, mostrou que a média das previdências no Brasil é de 2,85% ao ano. Para se ter ideia, essa é uma taxa mais alta do que a média dos fundos de renda fixa comuns, que, no varejo, é de 2,39% ao ano.

Então, já podemos concluir que a previdência não compensa? Depende. Se você é um cliente de alta renda, com certeza, vai ter uma taxa menor, o que pode fazer vale a pena. Com seguradoras, por exemplo, é possível conseguir taxas de 1,5% ao ano. Uma opção é apostar nas Rendas Fixas com taxas que não ultrapassem 1% ao ano e, dependendo dos rendimentos, uma taxa de 1,5% ao ano também torna-se aceitável.

2 – Taxa de Carregamento

É uma taxa adicional dos fundos de previdência e, a cada aporte, ela é cobrada. Em números, é assim: se você investe 100 reais e a taxa de carregamento é de 1%, apenas 99 reais serão, de fato, investidos. A notícia boa é que existem alguns fundos que isentam essa taxa e outros bancos, de grande porte, oferecem essa taxa, mas de maneira regressiva, ou seja, com o tempo, ela pode chegar à zero.

Para mais saber: A Caixa Econômica Federal e outras seguradoras oferecem fundos isentos dessas taxas!

3 – Falsas Simulações

Sabe aquela simulação que fizemos lá no começo do texto? Então, as vezes, ela pode ser irrealista, surreal. Isso acontece porque, muitas vezes, o seu gerente não levará em consideração a inflação do período (ainda mais se for longo) e ele pode usar, para tal, um juros baixos, que é o que não acontece, de fato. Se você quer fazer uma simulação real, o indicado é usar algo em torno de 2 ou 3% ao ano.

Com a atual Selic a 8% ao ano, e com a tendência de que os rendimentos reais dos fundos caiam, devemos considerar ainda que os fundos de previdência tornem-se ainda mais modestos.

4 – Investimento Conservador

Ainda se formos pensar em longo prazo, o investidor tem a opção de pensar em investimentos menos conservadores, tais como aqueles que tem uma porcentagem voltada para a renda variável e fazem esse percentual regredir à medida que o tempo passa.

5 – Imposto de Renda

Na Previdência, a modalidade do PGBL permite que se abata o valor das aplicações em um valor de 12% da renda tributável, já o VGBL não permite o mesmo. Assim, o PGBL só vale para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda. Vamos ser didáticos: quem fizer o PGBL e usar a declaração simples do IR, vai pagar o IR duas vezes.

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E agora, o que fazer?

Se você ficou na dúvida, precisa pensar em 3 pontos principais, conforme indicado pela XP Investimentos: Entender sobre as 2 Modalidades, Saber sobre o Regime de Tributação e Identificar o Plano Ideal para você.

Depois de visto isso, vale atentar-se também para outras opções, que, para a maioria dos especialistas, são mais rentáveis. Veja algumas opções: Renda Fixa em Taxa de Juros Selic (indicada para quem está próximo ao resgate e quer apenas preservar o capital), Renda Fixa em Inflação (Com rentabilidades compostas pelo IPCA e Juros Prefixados), Renda Fixa Multimercado (Que tem aplicação em Renda Variável também) e Renda Fixa Fundo Dinâmico (São mais agressivos, mas tornam-se conservadores ao longo tempo).

Como Investir em Renda Fixa: O Guia Definitivo

Samy Dana é economista e professor da FGV, ele comenta que é preciso ficar atento. “As taxas são elevadas e os benefícios fiscais, muitas vezes, não compensam. A maioria dos planos que valem a pena são aqueles que tem contrapartida da empresa. Evidentemente, as pessoas precisam se preocupar com a aposentadoria, mas isso não significa fazer o plano da Previdência”.

Mas, a Previdência Privada não é segura e rende mais do que a poupança?

Independente do que você define por segurança, meu caro, a resposta é NÃO. Mas, apenas para que você saiba a Previdência Privada não conta com o Fundo Garantidor de Crédito, diferente de outros investimentos, como o CDB, LC, LCI e LCA, por exemplo. Se ela for feita com seguradora, então, é pior ainda, porque aí você vai precisar entrar com uma ação judicial para tentar reaver o seu patrimônio.

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“O risco de perder os recursos que foram investidos é significativo, uma vez que a liquidação extrajudicial só será decretada em duas hipóteses: 1) quando reconhecida a inviabilidade de recuperação da entidade de previdência complementar e 2) na ausência de condição para seu funcionamento”, afirma o professor Dana.

Ah, e quanto à poupança, que está no título desse tópico, saiba que a previdência é considerada uma poupança forçada, por muitos conhecedores do assunto. Essa afirmação tem base no seguinte fato: as previdências têm baixíssimas rentabilidades e, em vários casos, chega a perder para a poupança. (“Aí tô chocada”, diria o Ferdinando, do programa Vai que Cola).

Quer mais? Recentemente, conforme informação do Administradores, foram avaliados mais de 78 planos de previdência privada em diferente seguradoras dos maiores bancos privados do país. E somente 3 planos ganharam da Caderneta da Poupança. SOMENTE 3, de 78. Vamos falar a real, se você tivesse guardado seu dinheiro embaixo do colchão, tirando os riscos de roubo, você teria perdido menos dinheiro.

Apesar de não estar com os números super atualizados, o pessoal da MePoupe, fez uma simulação bem simples. Com um investimento mensal de 300 reais, e supondo que a rentabilidade da previdência seja de 6% ao ano e a de um CDB seja de 8% ao ano, em 30 anos, sabe quais vão ser os patrimônios? Para quem investiu na previdência é de 303 mil reais e para quem optou pelo CDB, 443 mil reais.

Eu já tenho uma previdência, mas acabei de descobrir que estou perdendo dinheiro com ela, o que devo fazer?

O arrependimento já bateu na sua porta, amigo? Então, respire e não faça nada com a cabeça quente. Por pior que seja, talvez o ideal seja manter o seu (falso) investimento porque você cancelar o plano pode fazer perder ainda mais dinheiro. De qualquer maneira, avalie a sua realidade atual e tenha em mente a capacidade de gerir o próprio dinheiro.

A principal dica é: pesquise a rentabilidade dos outros planos de outros bancos. Existem a possibilidade de fazer uma portabilidade entre os planos de previdência de uma instituição para outra.

Banco do Brasil é condenado por iludir cliente sobre Previdência Privada

Esse caso “bombou” na internet há alguns anos. Aconteceu lá em Itajaí, Santa Catarina, onde uma juíza julgou procedente a ação de uma consumidora contra o Banco do Brasil, e declarou inválido e nulo o contrato firmado para a aquisição de plano de previdência privada.

O que aconteceu foi que a consumidora foi atraída a fazer um plano de 250 mil reais, com a promessa de que poderia retirar o dinheiro sem qualquer ônus dentro de 6 meses. Na época, a “investidora” tinha 64 anos. Passado o tempo de carência, quando levantou os recursos, ela recebeu a informação e que isso só seria possível quando tivesse 99 anos ou mais.

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Ela teve alguns problemas de saúde dentro da própria agência bancária. “Evidente que a declaração de vontade da autora em contratar foi motivada pelo fato único de acreditar que seu dinheiro estaria seguro, rendendo mais e que, especialmente, poderia utilizá-lo num prazo curto de 6 meses”, anotou a juíza.

E continuou: “O Banco do Brasil não agiu dentro dos princípios da probidade e da boa-fé contratuais, visto que não apresentou informações corretas, claras e precisas sobre seu produto à cliente”.

O que Governo diz sobre a Previdência Privada?

Também chamada de previdência complementar, é um sistema que permite ao cidadão guardar uma parcela dos seus recursos ao longo tempo. Ou seja, é uma forma de poupança de longo prazo. A previdência complementar é subdivida em 2 categorias: EAPC (Entidades sem fins lucrativos), constituída como sociedade anônima e EFPC (fundos de pensão) sob forma de sociedade civil.

A previdência complementar tem o seguinte funcionamento: a pessoa faz contribuições para o plano (período de acumulação), estas contribuições são aplicadas no mercado financeiro (rentabilizadas) e o saldo acumulado poderá ser resgatado ou sacado integralmente ou mensalmente como uma aposentadoria ou pensão, dependendo do que consta do regulamento do plano de benefícios previdencial.

5 questões importantes sobre a Previdência Privada: Ter ou não Ter, eis a questão!
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A fiscalização das instituições que operam e administram planos de previdência são a Susep (Superintendência de Seguros Privados) para as abertas e a Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) para as entidades fechadas. Todas essas informações estão no site do governo.

Em artigo publicado no jornal Valor Econômico, intitulado “Vícios e virtudes da economia globalizada”, Luiz Gonzaga Belluzzo diz que diante da proximidade da insolvência dos sistemas privados de aposentadoria é lícito suspeitar que “a única reforma possível da seguridade social no mundo vai contemplar métodos muito antigos de aposentadoria: atirar os velhos ao penhasco”.

Talvez isso não seja necessário, basta fazer um investimento de verdade!

Com informações da Exame, UOL e XPI

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